Especial - Edição 10 - Setembro de 2009

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Porto do Recife

Especial | Edição 10 - Setembro 2009

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Por Rodrigo de Luna

A conclusão da dragagem no Porto do Recife, em setembro, significa um novo tempo para a unidade. Recife foi o primeiro dos 20 portos que integram o Plano Nacional de Dragagem, da Secretaria Especial dos Portos, a concluir as obras, para onde foram destinados R$ 31 milhões, desde março, com recursos do PAC, investimento jamais visto nos últimos 15 anos do Porto.

Com a dragagem, o Complexo passa dos 8,5m de profundidade para -11,5, o que representa a retomada de um crescimento que, assim como em outros portos do Brasil, estava estancado, pelo menos, desde janeiro, por conta da crise econômica mundial. Só Recife estava com uma movimentação 20% menor do que o esperado, com exceção do mês de março por conta da intensificação da exportação de açúcar, que nem foi tão significativa, já que 250 mil toneladas do produto deixaram de ser exportadas, especialmente para países como Índia e Paquistão, devido à falta de financiamento.

Esse item, aliás, é o responsável por cerca de 40% de toda a movimentação no Porto do Recife. Se, de janeiro a agosto de 2009, foram exportadas mais de 136 mil toneladas em sacos de açúcar, no mês de outubro, já com novo calado, o Porto deve movimentar entre 150 e 200 mil toneladas do produto. Expectativas aguardadas com entusiasmo por Alexandre Catão, diretor-presidente da unidade. “Recife é um dos privilegiados no Brasil. Depois da dragagem, nós estamos percebendo a consolidação do trabalho, uma rearrumação e uma melhor acomodação da movimentação de cargas no Porto. Só no item açúcar, devemos recuperar 30% do que estávamos perdendo para Maceió”, destaca.

A mudança da Bunge Alimentos para Suape, com a inauguração do novo moinho, deve representar a saída de 300 mil toneladas de trigo, que deixarão de ser movimentadas anualmente pelo Porto. Apesar de sentida, a saída da empresa não pegou de surpresa a administração do Porto. “Desde que nós chegamos aqui, em 2007, já sabíamos que a Bunge não continuaria conosco. A empresa queria investir aqui e a gestão anterior não facilitou nada”, ressalta Catão. O presidente explica que, no Terminal de Granéis, onde a Bunge operava, a profundidade era de apenas quatro metros. Hoje, a mesma área teve calado aumentado para 9,5, o que permite a atracação de qualquer navio de 25 mil e de até 30 mil toneladas, além de uma operação ainda mais barata que em Suape, com calado de 15 metros. Com pouca profundidade, Recife oferecia riscos para os navios que atracavam. Isso acabava pesando no bolso do empresário que contratava o navio e pagava a mais por uma operação de risco. De acordo com a administração portuária, alguns navios passavam cinco dias no mar, esperando uma maré mais alta, para poder entrar e atracar.

Apesar de algumas baixas, a exemplo dos derivados de petróleo, que deixaram de ser movimentados desde julho do ano passado, o Porto teve altas relevantes. A estimativa para movimentação de coque de petróleo é dobrar em relação a 2008, quando passaram por Recife 100 mil toneladas. “Suape teve alguns problemas de meio ambiente, o que, de certa forma, acabou nos beneficiando. Só até agosto, já passávamos das 116 mil toneladas do produto”, destaca o diretor-presidente. Mas a maior fé dos administradores do Porto (inclusive para substituir o desfalque deixado pela saída do trigo da Bunge) está sendo depositada no milho, que este ano, somente em março, foi responsável por quase 30 mil toneladas de circulação no Porto.

Tanta expectativa tem uma boa razão e importante participação da dragagem. É que o Porto do Recife deve se transformar num entreposto de distribuição de milho da Conab (Companhia Nacional de Abastecimento). Desde julho, o presidente do Porto e o presidente da Conab, Wagner Rossi, têm discutido de que forma parte das cerca de 500 mil toneladas de milho, distribuídas anualmente ao Nordeste, podem ser transportadas por via marítima. A ideia é de que entre 200 e 300 mil toneladas do milho produzido em Minas e no Mato Grosso cheguem até Recife, o que pode gerar uma economia de até 30%, já que hoje o transporte de milho para o Nordeste é feito por meio rodoviário.

A partir de agora, o crescimento é esperado, principalmente por ser Recife um Porto com tradição na importação de cargas por cabotagem, mas também com vocação turística. A média anual de navios circulando na unidade é de 280, mas os sinais de aumento já apareceram. No ano passado, durante a temporada de cruzeiros, entre outubro e abril, foram 57 navios atracados e cerca de 64 mil pessoas movimentando o turismo da cidade. Para 2009, 82 navios já confirmaram passagem pelo Recife, com a circulação de 75 mil passageiros, um aumento de 20% na movimentação de turistas. Se os números são animadores, o novo e pioneiro projeto do Terminal Marítimo de Passageiros do Recife foi o único, até agora, apresentado para a SEP. “Estamos trabalhando num projeto moderno, com conceito planejado e esperamos, ainda este ano, que o Ministro Pedro Brito inicie o processo de licitação para o início das obras”, argumenta Catão. Para construção do terminal, será necessário um investimento de R$ 51,6 milhões.

Uma grande área operacional do Porto também deve ser reativada, entre os armazéns 10 e 17, com a possibilidade de atracação de dois navios de cruzeiro. O projeto de Revitalização do Porto do Recife (Revap) se encontra em avaliação pela Antac (Agência Nacional de Transportes Aquaviários). A expectativa é de que a licitação saia até outubro e os 35 mil m² da área estejam prontos até a Copa de 2014, diante de um investimento de R$ 107 milhões da iniciativa privada. A revitalização vai abranger uma zona degradada do porto que não vem sendo utilizada operacionalmente há 20 anos.

No quesito segurança, Catão garante que existe o total controle do acesso e monitoramento da área. “São 38 câmeras de circuito interno de TV ligadas 24 horas”, ressalta. Recife foi o único, em 2009, no país a receber o certificado ISPS-CODE. Já quanto à gripe A, Catão revelou que o porto tem recebido elogios por parte da Anvisa, que considera Recife como sendo o principal porto do Nordeste em entrada de navios vindos da Europa. “Antes do início da temporada de cruzeiros, deve ser realizado um curso no próprio Porto para os agentes da Anvisa se capacitarem para receberem os turistas”, destaca o diretor presidente.


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