Thiago Norões

Secretário de Desenvolvimento Econômico e Presidente de Suape, Thiago Norões fala sobre a economia de Pernambuco.

Diante das perspectivas de expansão do comércio exterior, a Secretaria de Portos planeja, ainda nesse primeiro semestre de 2016, publicar 21 editais para arrendamentos nos portos públicos. Entretanto, o setor portuário enfrenta muitos gargalos e desafios na aplicação do Novo Marco Regulatório quanto às adequações e definições legais. As constantes mudanças das regras, burocracia, excesso de regulação, novos termos contratuais e a indefinição das entidades públicas, têm causado muitas incertezas e insegurança jurídica ao setor portuário no Brasil. Esses temas serão debatidos na INTERMODAL SOUTH AMERICA de 05 a 07 de abril em São Paulo. Evento que reúne, mais de 40 portos e 600 expositores nacionais e internacionais ligados ao segmento logístico e de transportes de cargas nos diversos modais. Numa entrevista exclusiva à Revista Cais do Porto.com , o Secretário de Desenvolvimento Econômico e Presidente de Suape, Thiago Norões conversou sobre a economia de Pernambuco e o grande desafio de superar as dificuldades sobretudo diante da crise econômica e política instalada no Brasil.

CAIS DO PORTO.COM – Como presidente do Complexo Industrial e Portuário de Suape e Secretário de Desenvolvimento Econômico de Pernambuco, qual o maior desafio deste ano no setor portuário do Estado?

Thiago Norões – Além de abrigar uma grande quantidade e diversidade de indústrias, Suape possui duas grandes vantagens comparativas em relação a outros complexos industriais e portuários do Nordeste e do Brasil: o diferencial logístico e o crescimento guiado por um planejamento de longo prazo. Desde sua criação, o complexo já projetava muitos dos empreendimentos que possui hoje, e mais: se preparou para recebê-los. Exemplo disso é a refinaria Abreu e Lima, hoje responsável pelo aumento na movimentação de granéis líquidos do nosso porto.
CP – Quanto o Complexo Industrial e Portuário de Suape, recebeu em investimentos públicos e privados para obras de infraestrutura portuária? TN – Ao longo dos últimos anos, foram aportados mais de R$ 2,2 bilhões em recursos públicos (estaduais e federais) para obras de infraestrutura portuária, viária e industrial no Complexo. Nossa inten
ção é ofertar qualidade e modernizar ainda mais nossa infraestrutura para receber grandes negócios.

CP – Com a instalação da Refinaria Abreu e Lima, a movimentação de granéis líquidos em Suape cresceu bastante. Como foi esse movimento o ano passado?

TN – Os granéis líquidos continuam sendo a nossa expertise e hoje já podemos dizer que somos um hub port de combustíveis. Em 2015, o Porto de Suape duplicou a movimentação dos produtos (óleo diesel, gasolina, querosene de aviação, óleo bruto de petróleo, etc.), com 14,24 milhões de toneladas de cargas movimentadas, 54% a mais que em 2014, quando movimentou 9,2 milhões de toneladas. Hoje, a capacidade de produção de barris por dia da Refinaria Abreu e Lima é de 100 mil barris de petróleo. A previsão é que a capacidade diária de produção chegue aos 230 mil barris/dia até 2019.

CP – Há também investimentos em obras de infraestrutura portuária para ampliar as dragagens do Canal Externo, do acesso ao Polo Naval, do alfandegamento do novo Pátio de Veículos na retroarea do Cais 4 e das obras de requalificação da pista de acesso ao Porto. Como será o cronograma de início e término dessas obras? Já foi licitada a empresa que fará?

TN – O Complexo Industrial Portuário de Suape está diretamente interligado a Secretaria Especial dos Portos e não possui autonomia para realizar algumas licitações. Como exemplo, posso citar o Pátio Público de Veículos cujo arrendamento está sob a responsabilidade da SEP e ainda não teve seu processo de licitação iniciado. Quanto às obras de dragagens, estas estão sendo realizadas por Suape. A dragagem de ampliação do acesso ao polo naval está em andamento enquanto a do canal externo está em elaboração de projeto para licitar a empresa que realizará a obra no segundo semestre deste ano. A pista de acesso ao porto foram já foi requalificada com recursos públicos (estaduais e federais) e encontra-se em ótimo estado.

CP – Dentro do Plano Nacional de Logística Portuária (PNLP) está previsto para o início do segundo semestre deste ano, leilões de arrendamento portuários, organizados pela Secretária dos Portos. Em Pernambuco, qual o tamanho da área que será arrendada e para quais atividades?

TN – Temos quatro projetos sob o comando da SEP, que estão aguardando o início das licitações, porém que estão dentro do Plano de Investimento em Logística (PIL). O Terminal de Contêineres (Tecon II), terá uma área de 33 hectares e será utilizada para a implantação de um terminal destinado à movimentação e armazenagem de contêineres. Já o Terminal de granéis sólidos, terá 58 hectares de área arrendada e capacidade estimada de movimentar 17 milhões de toneladas ao ano. O investimento estimado para este Terminal é de R$ 1 bilhão. O Pátio Público de Veículos que, com alfandegamento de novas áreas, ampliou de 3,7 para 18,7 hectares, com possibilidade de expansão de até 23,7 hectares e capacidade para movimentar 250 mil carros por ano. O Terminal de grãos terá uma área arrendada de 2,5 hectares, capacidade estimada de movimentação é de 5,2 milhões de toneladas ao ano. O investimento estimado para este Terminal é de R$ 600 milhões.

CP – Quais serão os critérios para a seleção de projetos e as regras para licitações dessas áreas?

TN – Todo o processo é conduzido pela Secretaria Especial dos Portos. Suape participa apenas da análise dos estudos de viabilidade
técnica em conjunto com a SEP. de trocar cartões.

CP – Qual a previsão de investimentos para o segundo terminal de contêineres. Quando será feita a licitação e quais as principais exigências?

TN – A Secretaria Especial de Portos tem previsão de licitar este o Tecon II no segundo semestre deste ano. O investimento previsto para esse empreendimento é de R$ 1,2 bilhão.

CP – Diante da crise econômica instalada no Brasil, fale sobre a economia de Pernambuco e quais os polos econômicos estão instalados no Complexo Industrial e Portuário de Suape.

TN – Pernambuco tem se mostrado um ponto fora da curva neste cenário. Apesar do ambiente macroeconômico desafiador, o Estado se mantém atrativo para a instalação e ampliação de atividades industriais nos segmentos de alimentos, bebidas, higiene e bens semiduráveis. São áreas diretamente ligadas à expansão dos últimos anos observada no mercado consumidor nordestino. Hoje, nos destacamos em setores como o logístico, reforçando nosso diferencial competitivo de localização geográfica. Inauguramos um Polo Automotivo que, pelo conjunto de tecnologias e inovações aplicadas, pode ser considerado como o mais moderno e eficiente do mundo. Somos um polo de produção de máquinas, equipamentos, tecnologia, políticas públicas e conhecimento em energias renováveis, além de estudos recentes apontarem o potencial para geração de
energia eólica e solar no Estado. Já contamos com a presença de grandes companhias mundiais. O cluster de alimentos e bebidas tem participação da Ambev, do Grupo Petrópolis, Brasil Kirin, da Solar (envasadora da Coca-Cola) Campari, M. Dias Branco, Bunge e Mondelez – Ex-Kraft Foods. E caminhamos para nos tornar referência no setor farmacoquímico, com o complexo da Hemobrás e a planta da Novartis. Nosso desenvolvimento foi todo planejado a partir do adensamento de cadeias produtivas com maiores perspectivas de crescimento e estimulando a interiorização dos aportes da iniciativa privada. A experiência em Pernambuco teve início com uma leitura estratégica diferenciada em 2006, quando Eduardo Campos venceu as eleições para governador do Estado. Estu
dos de viabilidade econômica elaborados naquela época apontavam o potencial de crescimento da indústria de bens de consumo duráveis e do setor de alimentos. Aliado a isso, tínhamos em implantação os chamados investimentos estruturadores: refinaria, petroquímica e estaleiro. Foi apostando nessas áreas estratégicas que Pernambuco traçou sua política de inserção no mapa econômico nacional e mundial.

 

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