Paulo Câmara

da Redação

CAIS DO PORTO.COM – Além da prática dos oito anos como secretário do governo de Eduardo Campos, o senhor é formado em Ciências Econômicas (UFPE/1994), pósgraduado em Contabilidade e Controladoria Governamental (UFPE/1997), com mestrado em Gestão Pública, e auditor das Contas Públicas do Tribunal de Contas de Pernambuco, desde 1995. Diante desse currículo, podemos dizer que o senhor já estava se preparando para um dia assumir a governança do Estado?

Paulo Câmara – O que eu desejo é, em 2018, entregar um Estado melhor do que aquele que recebi. Creio que a minha experiência no serviço público me credenciou para ser governador. Fiz parte de uma gestão que mudou Pernambuco, liderada por Eduardo Campos. Uma gestão premiada internacionalmente e que teve e tem amplo apoio do povo do nosso Estado. Nossa equipe trabalha para oferecer à população serviços públicos de qualidade.

CP – Como o senhor espera, estando do lado oposto ao do Governo Federal, resgatar a confi ança dos empresários e atrair novos investimentos para Pernambuco, no meio dessa crise política e econômica que o Brasil está vivendo?

PC – Pernambuco vem, nos últimos anos, crescendo mais do que o Nordeste, mais do que o Brasil. Este ano de 2015 devemos crescer 2%, enquanto chegam a afi rmar que o PIB nacional pode recuar até 1%. Os investidores confi am em Pernambuco, temos regras claras, credibilidade, oferecemos todas as condições necessárias para criar um ambiente de negócios que gere emprego e renda para o nosso povo. Mas se o Brasil voltar a crescer teremos condições de ampliar ainda mais o nosso desenvolvimento. Pernambuco quer ajudar o Brasil nessa retomada

CP – Em 2007, o estado tinha uma capacidade de investimento de R$ 800 milhões por ano, número que foi multiplicado cerca de quatro vezes. Quanto será o nível de investimento nos próximos quatros anos? E de onde virão as receitas?

PC – Este ano, com toda essa imprevisibilidade causada pela crise nacional, O Governo pretende investir cerca de R$ 1 bilhão. Abaixo da média dos últimos anos, mas, mesmo assim, um dos maiores volumes de recursos a serem investidos por um Estado. Minas Gerais, por exemplo, já anunciou que não fará um 1 real de investimento este ano. Temos um planejamento. Tivemos a capacidade de transformar despesas ruins em investimento. Em 2015, pretendemos trabalhar com o chamado “dinheiro azul e branco” de Pernambuco.

CP – Dentre os projetos que o senhor irá implantar, quais são os de maior prioridade para garantir o crescimento, a empregabilidade e a renda da população em Pernambuco?

PC – Vou citar algumas dessas prioridades. Cerca de R$ 263 milhões serão destinados ao FEM (O Fundo Estadual de Apoio ao Desenvolvimento Municipal), criado por Eduardo Campos, e que é hoje um programa fundamental para os municípios, bastante prejudicados pela concentração de recursos nas mãos da União. Para os projetos de abastecimento d’água e saneamento, vamos destinar R$ 249 milhões e R$ 205 milhões para recuperação e construção de novas rodovias. Também continuaremos investindo forte nas áreas de Educação e Pesquisa, em Suape, no desenvolvimento rural e nas obras de mobilidade urbana e na área de ressocialização.

CP – O Complexo Industrial e Portuário de Suape é hoje uma realidade bem diferente daquela de quando o senhor começou a trabalhar no governo do estado. Nesses oito anos, foram implantados galpões logísticos, polos petroquímico, naval, eólico e de óleo e gás. Só a Refi naria Abreu e Lima chegou a ter mais de 50 mil trabalhadores em sua construção. Numa visão realista, o que esses empreendimentos ainda podem garantir aos empresários que queiram se instalar em Pernambuco? Que incentivos o seu governo está dando?

PC – Pernambuco hoje conta com um programa de incentivos ousado, que impulsiona a interiorização do desenvolvimento. Uma empresa que quer investir na Zona da Mata tem mais vantagens do que na Região Metropolitana. Quem quer implantar uma empresa no Agreste tem mais benefícios do que se decidir ir para a Mata e o mesmo ocorre com os investimentos que vão para o Sertão do Estado.

CP – Na primeira quinzena de março o senhor visitou o parque eólico da Casa dos Ventos, em Marcolândia, no Piauí. E anunciou um investimento de R$ 6 bilhões na implantação de um cluster na Chapada do Araripe e de outro no Agreste pernambucano. Governador, quanto tempo para conclusão dessa obra e qual o maior benefício dela para a região e para o Estado, dos pontos de vista social e econômico?

PC – A previsão que nos foi repassada pelo investidor é que todo o empreendimento esteja em operação até 2019. Esta é uma outra área que considero fundamental e estratégica para Pernambuco: o apoio à economia sustentável, à inovação tecnológica. Outro fator importantíssimo é que esses projetos estão sendo implantados no Sertão e no Agreste, incentivando a economia local, criando emprego para as pessoas dessas localidades.

CP – O crescimento da cidade do Recife no entorno do Porto tem limitado muito sua mobilidade e expansão. Que projetos de infraestrutura e logística o seu governo tem para o porto do Recife atrair mais cargas e operacionalizar nos próximos quatro anos?

PC – A obra fundamental para a mobilidade logística do Grande Recife é hoje o Arco Metropolitano, mas o Governo estuda outros projetos alternativos, como um arco em Abreu e Lima.

CP – Governar um estado como Pernambuco, com tantas desigualdades sociais, diversas regiões diferentes e com problemas específi cos é um grande desafi o para sua primeira vez como governador. Qual o maior ensinamento que o senhor herdou do ex-governador Eduardo Campos, como gestor e como político?

PC – Ouvir o povo, manter a sintonia com os sentimentos das ruas. Eduardo Campos nos legou essa tremenda capacidade de trabalhar com planejamento, com uma gestão direcionada à melhoria das condições de vida dos mais necessitados, o que ele aprendeu com doutor Miguel Arraes.

CP – As manifestações do último dia 15 de março, em todo Brasil, deixaram um recado claro para a classe política: a sociedade quer mudanças e já! As promessas de campanha precisam ser cumpridas sobretudo as que dependem fi nanceiramente do Governo Federal. Diante disso, como o senhor espera dialogar daqui pra frente com a presidente?

PC – A palavra-chave é diálogo. É o que estamos fazendo por meio do Programa Todos por Pernambuco, que percorre todas as regiões do Estado e ouve a população sobre suas prioridades, sobre o que funciona bem e o que precisa ser melhorado. Esse é um instrumento essencial para o governante se manter próximo ao povo. Tivemos, recentemente, uma reunião de todos os governadores com a presidente Dilma Rousseff e expressei a nossa determinação em ajudar o Brasil a superar essas crises que travaram o País. Os ajustes que estão sendo defendidos agora pelo Governo Federal demoraram demais e o custo desse atraso está sendo mais elevado do que seria antes. Eduardo Campos falou isso mais de uma vez, alertou a própria presidente. O Governo Federal demorou a agir. Mas Pernambuco está fazendo sua parte para que o Brasil volte a crescer, a criar empregos, a melhorar a vida das pessoas. Não podemos jogar fora as conquistas da estabilidade econômica, da melhoria das condições de vida daqueles que mais precisam.

CP – Além da navegabilidade do Rio Capibaribe, iniciada em 2012, e estagnada até hoje, qual é o débito que o governo Dilma tem com o estado de Pernambuco?

PC – Não considero débitos, mas projetos que são fundamentais, não apenas para Pernambuco, mas para toda a região Nordeste. Os grandes projetos estruturadores são fundamentais serem concluídos, como a Refinaria Abreu e Lima, a Transposição e a Ferrovia Transnordestina. Mesmo o Arco Metropolitano é uma obra que vai beneficiar toda a economia regional, que passa por dentro de Pernambuco.

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