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Como transformar resíduos em lucro

Por Henry Manzano

Foto: Ana_Cotta/Flickr Creative Commons

Sustentabilidade, reduzir custos, cumprir exigências ambientais, obter licença social para operar e aumentar a rentabilidade são imperativos para grandes empresas de mineração que convertem resíduos em lucro, ou transformam lixo em riqueza. “Wealth from Waste” é um conceito que entrou com força nas empresas.

Na tarefa de extrair o máximo de riqueza, a aplicação da tecnologia da informação deve ser combinada com o conhecimento da indústria de mineração. Ambos os campos de expertise devem estar intimamente interligados para alcançar os melhores resultados. Essas técnicas garantem o feedback necessário para detectar problemas, diagnosticar com precisão e elaborar um plano de otimização do trabalho ideal para as atividades de mineração.

Um exemplo da atualização dos processos industriais com aplicação de conhecimentos tecnológicos de última geração ocorre na indústria siderúrgica. Um dos problemas da extração do minério de ferro é que 20% a 25% da produção é lixo ou entulho, e a única opção é descartá-los, o que aumenta o passivo ambiental e aumenta a possível rejeição das comunidades locais à expansão dos negócios. Com a aplicação de diferentes técnicas, é possível fazer com que metade da parcela de 25% de resíduos se torne parte do processo produtivo, reduzindo o desperdício em um patamar de 12% a 13%.

O cobre também é uma área onde as mais recentes tecnologias permitem aproveitar subprodutos, como é caso do também valioso molibdênio. Um primeiro processo que se pode melhorar usa do computador no nível molecular, o que é chamado de computação de química quântica. Por meio dela, é possível encontrar reagentes químicos que aumentam a eficiência da separação do cobre e do molibdênio – porque se há muito molibdênio no cobre, ele está indo para o lixo. Com esse método tecnológico, pode-se aprimorar o processo de flutuação usado para separar os dois minerais.

Uma segunda área de aprimoramento, que pode ser aplicada ao cobre e outros minerais, é o que chamamos de otimização da engenharia. É possível através do conhecimento de TI projetar modelos e simulações para aumentar a eficiência de um módulo de flutuação ou de separação de líquidos e sólidos, resultados que depois podem ser aplicados em termos práticos a qualquer parte da operação, reduzindo os custos.

Uma terceira maneira é por meio da aplicação de análise preditiva de dados que, usando algoritmos e diversas ferramentas, fornecem informações para ajudar a aprimorar as operações e salvar vidas. O que vemos como tendência é uma demanda crescente das empresas de mineração no mundo por essas tecnologias. Com a redução da margem operacional, está sendo fortemente promovido o uso de tecnologias “disruptivas” para aprimorar os métodos de exploração, aumentar a produtividade das operações, elevar os níveis de segurança e de recuperação, eliminar resíduos e reduzir o consumo de energia.

Em tempos em que a mineração se vê fortemente pressionada a atingir as metas de rentabilidade, converter resíduos em riqueza não é uma opção. É simplesmente uma condição sine qua non do atual negócio de exploração de recursos naturais.

* Henry Manzano é CEO para a América Latina da Tata Consultancy Services (TCS), empresa líder em serviços de TI, consultoria e soluções de negócios.

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