Cabotagem é alternativa para transporte de carga

Benefícios econômicos e ambientais são pontos positivos em relação ao transporte terrestre e Porto do Recife tem potencial para mais negócios

Fonte: Executiva Press

Estradas esburacadas, segurança precária e combustível subindo como nunca são fatores que estão levando muitas empresas, no atual momento econômico, a repensarem seus esquemas de distribuição de mercadorias para as cidades brasileiras. Neste cenário, cabotagem, navegação entre portos marítimos ou fluviais de um mesmo país, vem sendo uma alternativa atrativa para o escoamento da produção, com distribuição eficiente. Ainda mais em um país com uma costa tão grande como o Brasil.

Para quem atua no setor de transporte marítimo, um dos principais desafios é a mudança de costumes. “Muitas empresas desconhecem o modal cabotagem, e então existe o medo da mudança”, revela o diretor executivo da Gulftainer Brasil, Emerson Buarque. A empresa, com origem nos Emirados Árabes, é uma das maiores operadoras portuárias privadas e independentes do mundo, e implantou em 2011 uma sucursal em Pernambuco, com forte atuação no Porto do Recife, apostando no crescimento do modal cabotagem, já conseguiu se transformar na operadora brasileira com a mais ampla presença na região Nordeste;

Um segundo desafio é convencer os atores econômicos que a cabotagem é bastante vantajosa quando associada a um esquema de transporte que também envolve o transporte terrestre, de maneira integrada. “O custo do transporte por cabotagem torna-se mais barato, porque pode-se percorrer grandes distâncias com um volume muito maior de carga. Mas o caminhão vai mais rápido do que o navio, então o ideal é um mix das duas formas de transporte”, pondera Emerson Buarque. A equação seria manter 30% das cargas por caminhão, mas movimentar 70% por via marítima

PESQUISA – Pesquisa da Confederação Nacional do Transporte (CNT) realizada em 2013 aponta que a plataforma marítima é utilizada para mais de 50% da carga transportada por cabotagem. Parte considerável das cargas movimentadas em 2013 originou-se dos estados do Pará (14,3 milhões de toneladas) e do Espírito Santo (11,1 milhões de toneladas) com mais de 18,0% da origem das cargas. Com relação aos destinos, São Paulo e Rio de Janeiro foram os destinos majoritários das cargas transportadas. Depois vêm a Bahia (16,3 milhões de toneladas), Maranhão (com 9,8 milhões de toneladas),Santa Catarina (com 9,6 milhões de toneladas) e Pará (com 7,6 milhões de toneladas).

VANTAGENS – A pesquisa da CNT também destaca que, além da grande extensão costeira e da proximidade dos grandes centros produtores do litoral, há uma série de outros benefícios na modalidade de transporte por cabotagem. Entre os pontos positivos da navegação por cabotagem estão uma grande capacidade de carregamento, menor consumo de combustível por tonelada transportada, reduzido registro de acidentes, menor custo por tonelada quilômetro e menor custo de seguro, além de menor emissão de poluentes. Por outro lado, tem-se menor velocidade e frequência, maior custo de implantação e maior burocracia, quando comparada aos modais terrestres.

PORTO DO RECIFE – Em Pernambuco, devido à sua localização dentro da cidade e, portanto, dentro do mercado consumidor principalmente de alimentos, eletrodomésticos, vestuário e calçados, o Porto do Recife tem grande potencial para atrair esse tipo de carga. São três a quatro milhões de consumidores na Região Metropolitana do Recife, lembra o diretor executivo da Gulftainer Brasil. Essa vocação do Porto do Recife faz contraponto e, ao mesmo tempo, é complementar à do Porto de Suape, que tende a concentrar mais a produção química.

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